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Os dois erros fatais mais comuns na aplicação do aço inoxidável

O aço inoxidável é, sem dúvida, um dos materiais mais desejados da arquitetura contemporânea, da indústria e do design. Durável, sustentável, elegante e tecnicamente superior em inúmeras aplicações.

Existem dois erros recorrentes cometidos por alguns profissionais que trabalham com aço inox. Esses erros não estão nos materiais em si, mas na forma como são escolhidos e aplicados.

O primeiro erro, e o mais recorrente, é tratar todo aço inox como se fosse igual, sem considerar a liga adequada para cada aplicação e ambiente. Essa generalização leva a escolhas equivocadas, que comprometem desempenho, durabilidade e estética ao longo do tempo.

Na prática, muitos profissionais ainda especificam o aço inox como se fosse um produto de especificação única, com a mentalidade de que, pelo fato de ser aço inox, é só instalar e está tudo resolvido. Mas isso é um grande equívoco, e não é assim que funciona.

O aço inoxidável é a solução técnica para inúmeras aplicações pela sua propriedade de resistência à corrosão, mas é importante atentar que ele resolve mediante uma especificação técnica criteriosa e assertiva.

Existem diversos tipos de aço inox (liga 300, liga 400 e duplex), com características e composições químicas diferentes entre si, que diferem nas resistências mecânicas e na resistência à corrosão. Quando essa escolha não é feita de forma adequada, problemas como corrosão prematura, manchas e peças que empenam ou deformam aparecem com o tempo.

O que deveria ser analisado antes de especificar o aço inoxidável?

Uma boa especificação de aço inox começa com perguntas simples e essenciais:

Onde esse material será aplicado? Ambiente interno ou externo? Urbano, industrial, litorâneo?

Há presença de umidade, salinidade ou agentes químicos? Qual a função da peça? Estrutural, decorativa, funcional, estética? Necessita de resistência mecânica? Qual é a expectativa estética ao longo do tempo? Manter brilho? Acabamento escovado, polido, colorido?

Essas perguntas são essenciais para definir quais ligas de aço serão utilizadas.

Especifiquei as ligas principais abaixo para melhor entendimento.

Austenítica: liga da série 300 (304, 304L, 316 e 316L), que tem como propriedades alta resistência à corrosão, excelente resistência à variação de temperatura, conformabilidade e soldabilidade, sendo não magnética e indicada para exposições mais agressivas. A série 300 é muito utilizada na indústria alimentícia, na construção civil e arquitetura, em hospitais e na indústria farmacêutica, entre outras.

Ferrítica: liga da série 400 (409, 430, 439 e 444), que possui estrutura ferrítica, também resistente, porém com menor resistência em relação às ligas da série 300, sendo magnética e indicada para exposições menos agressivas e moderadas, como ambientes internos. A série 400 é geralmente utilizada em cutelaria e ferramentas, indústria automotiva, indústria de eletrodomésticos e componentes industriais.

Duplex: a liga 2205 é a mais utilizada da família duplex, sendo indicada para ambientes extremamente agressivos, apresentando estrutura mista austenítica-ferrítica, com elevada resistência mecânica e excelente resistência à corrosão, superior à série 300 em diversos ambientes. É geralmente utilizada na mineração, indústria química, óleo e gás, papel e celulose, indústria marítima e naval, entre outras. Dentro da família duplex existem ligas como a 2304 e outras variações, que serão abordadas em outras publicações.

É importante atentar, na hora da especificação, que nem sempre o “mais caro” é o mais adequado, e nem o mais simples é suficiente.

O segundo erro comum ocorre quando o aço inox é instalado em conjunto com materiais incompatíveis. Um exemplo típico é a fixação de peças em aço inox utilizando parafusos de aço carbono. Nesse caso, o aço carbono pode transferir partículas para a superfície do inox, contaminando-o e gerando pontos de corrosão, mesmo que o inox, isoladamente, seja resistente.

Esse tipo de problema não é falha do material, mas sim de especificação e execução inadequadas. A correta identificação dos materiais, o uso de elementos de fixação compatíveis e a atenção aos detalhes de instalação são decisivos para garantir o desempenho, a durabilidade e a estética do aço inox ao longo do tempo.

Quando o aço inox é instalado com outros materiais de características diferentes das do aço inoxidável, é necessário um tratamento especial na peça ou o isolamento entre eles.

Uma especificação correta reduz a manutenção, aumenta a vida útil e preserva a estética, gerando longevidade, beleza e confiabilidade.

Como evitar esse erro definitivamente? Buscando fornecedores e parceiros com conhecimento técnico e entendendo o ambiente e o objetivo da aplicação.

O aço inox deve ser especificado como solução, e não como detalhe.

Quando bem especificado, o aço inox entrega excelência e não decepciona.

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