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Selic em 15% ao ano pela quinta vez seguida, possível corte em março

O Banco Central manteve, por unanimidade, a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, na quinta reunião consecutiva sem alterações. A decisão já era esperada pelo mercado financeiro e mantém os juros no maior patamar desde julho de 2006.

Mesmo com a queda da inflação e do dólar, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por cautela. No comunicado oficial, o BC indicou que pode iniciar um ciclo de redução dos juros na reunião de março, desde que a inflação siga sob controle e o cenário econômico não apresente surpresas.

A decisão ocorreu com o Copom desfalcado, após o fim do mandato de dois diretores no fim de 2025. As indicações dos substitutos devem ocorrer apenas após a retomada do Congresso Nacional, em fevereiro.

Inflação dentro da meta, mas cenário ainda exige cautela

Em 2025, o IPCA fechou em 4,26%, o menor índice anual desde 2018, ficando dentro do teto da meta contínua de inflação, que vai de 1,5% a 4,5%, com centro em 3%. Pelo novo modelo adotado em janeiro, a inflação passa a ser avaliada de forma móvel, mês a mês, considerando o acumulado em 12 meses.

Apesar da melhora recente, o mercado segue mais conservador. O boletim Focus projeta inflação de 4% em 2026, levemente acima do teto da meta. Já o Banco Central estimava, em dezembro, inflação de 3,5% para o próximo ano, número que ainda será revisado.

Juros altos impactam crédito e crescimento

A Selic elevada ajuda a conter a inflação ao encarecer o crédito e reduzir o consumo, mas também dificulta o crescimento econômico. O Banco Central projeta expansão de 1,6% do PIB em 2026, enquanto o mercado estima crescimento um pouco maior, de 1,8%.

Para o setor produtivo, especialmente indústria e construção, o cenário segue desafiador: crédito caro, investimentos mais cautelosos e foco em eficiência operacional, até que o ciclo de queda dos juros seja efetivamente iniciado.

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