Os distribuidores de aços planos no Brasil caminham para o terceiro ano consecutivo de crescimento tímido, segundo dados do Inda. Para 2026, a projeção é de alta de apenas 1,5% nas vendas, repetindo o desempenho modesto observado em 2024 e 2025.
Em 2025, as vendas totalizaram 3,89 milhões de toneladas, com crescimento real de 1,3%, abaixo até da expectativa inicial do setor. Em 2024, a alta já havia sido limitada a 1,1%, consolidando um ciclo prolongado de baixo dinamismo.
Um dos principais fatores de pressão continua sendo o alto volume de aço importado, que restringe a competitividade do produto nacional e comprime margens dos distribuidores.
No curto prazo, os números mostram volatilidade:
No campo dos preços, as usinas já repassaram reajustes de 5% a 8% em janeiro e sinalizam novos aumentos na mesma faixa para fevereiro. A efetividade desse segundo reajuste, porém, dependerá diretamente da decisão do governo sobre a adoção de medidas antidumping contra importações de aço laminado a frio.

O Inda projeta queda nas importações de aço plano pelo Brasil ao longo deste ano, movimento atribuído principalmente à expectativa de adoção de sobretaxas pelo governo federal no âmbito dos processos antidumping em andamento.
As investigações não se limitam aos laminados a frio e galvanizados, mas também alcançam os laminados a quente, ampliando o impacto potencial das medidas sobre o fluxo de aço importado no país.
Para o setor, a simples sinalização de defesa comercial já tende a frear novos embarques, reduzir a pressão sobre o mercado interno e recompor parcialmente a competitividade do aço nacional, ainda que os efeitos práticos dependam do ritmo e do alcance das decisões governamentais.
Segundo o Inda, 2025 marcou um recorde histórico na participação das importações de aços planos no Brasil. No ano passado, o aço importado representou 29,5% da produção nacional, o maior percentual dos últimos dez anos. Já em relação ao consumo interno, as importações responderam por 32,5% das vendas, também no nível mais elevado da década.
O dado mais sensível para o setor de distribuição está na comparação direta: as importações equivaleram a 85,5% de todo o volume comercializado pelos distribuidores em 2025. Para efeito de contraste, em 2020 essa proporção era de cerca de 26%, evidenciando uma mudança estrutural no mercado brasileiro de aço plano.
No ranking de origens, a China permaneceu como principal fornecedora, com 2,32 milhões de toneladas exportadas ao Brasil, volume ligeiramente superior ao do ano anterior. O grande destaque, porém, foi a Coreia do Sul, que quase quintuplicou seus embarques em 2025, alcançando aproximadamente 650 mil toneladas. O Egito também chamou atenção, ampliando suas vendas ao Brasil de 40,7 mil toneladas em 2024 para 141,4 mil toneladas em 2025.
