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Economia brasileira cresce 2,3% em 2025, impulsionada pelo agro e indústria extrativa

Com PIB de R$ 12,7 trilhões, Brasil registra o quinto ano consecutivo de expansão. No entanto, juros de 15% e estabilidade na construção civil trazem desafios para o setor de transformação.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, na manhã desta terça-feira, 3, os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025. A economia brasileira fechou o ano com um crescimento de 2,3%, somando um montante corrente de R$ 12,7 trilhões.

Embora o número consolide o quinto ano seguido de alta, o ritmo é inferior aos 3,4% registrados em 2024. O resultado reflete um cenário de “dois Brasis”: de um lado, a pujança do agronegócio e da extração mineral; do outro, uma indústria de transformação e um consumo das famílias impactados pelos juros elevados.

O grande destaque de 2025 foi a agropecuária, que saltou 11,7%. Recordes nas safras de milho e soja puxaram o setor, que sozinho foi responsável por quase um terço de todo o crescimento do país no ano.

Pensando no mercado de aço, esse dado é estratégico: o agro moderno demanda infraestrutura pesada, silos, tanques e implementos que utilizam cada vez mais materiais resistentes à corrosão, como o aço inoxidável.

E a indústria?

A indústria cresceu 1,4% no ano passado, mas o desempenho foi desigual: a extrativa (+8,6%), puxada pelo petróleo e gás, segue sendo o setor industrial mais dinâmico. A construção civil (+0,5%), no entanto, ficou praticamente estável, sentindo o peso do crédito mais caro. Já os investimentos (FBCF) avançaram 2,9%, impulsionados pela importação de máquinas e equipamentos, sinalizando que as empresas continuam buscando modernização tecnológica.

O “freio” da Selic

A desaceleração econômica no último trimestre (apenas 0,1% de crescimento) tem explicação direta na política monetária. Para conter a inflação, que passou boa parte do ano fora da meta, o Banco Central manteve a taxa Selic em 15% desde junho de 2025.

Raio-X do PIB 2025:

  • PIB Per Capita: R$ 59.687 (+1,9% real);
  • Taxa de desemprego: Terminou o ano no menor nível histórico;
  • Taxa de investimento: 16,8% do PIB.

O que esperar para 2026?

Para quem vive o dia a dia do inox (ou do aço no geral), o recado é claro: 2026 será o ano da estratégia de nicho. Enquanto o setor imobiliário sente o peso dos juros no financiamento, o ‘Brasil que produz’ (agro e extrativismo) segue investindo pesado em infraestrutura e máquinas.

O segredo para manter a carteira de pedidos cheia será identificar onde o investimento não para, transformando a cautela macroeconômica em oportunidade setorial. O verão do inox. 

A boa notícia para o mercado interno é o mercado de trabalho aquecido, que mantém a massa salarial em alta, apesar do consumo estar “represado” pelo custo do financiamento.

Em contrapartida, o tabuleiro global ganha contornos dramáticos com a escalada dos conflitos no Oriente Médio, que já pressionam os custos logísticos e a cotação do petróleo neste início de março.

A volatilidade internacional exige um olhar atento ao câmbio e ao preço de insumos como o níquel – falando de inox. O cenário para 2026 reserva desafios, mas também oportunidades para quem souber navegar entre a cautela interna e as ondas de instabilidade mundial.

Vamos aguardar o que 2026 reserva para o mercado.

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