As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram, em 2025, a maior retração dos últimos cinco anos, interrompendo a trajetória de recuperação observada no período pós-pandemia. Segundo estudo divulgado pela Amcham Brasil, as vendas totalizaram US$ 37,7 bilhões, uma queda de 6,6% em relação a 2024.
Com o recuo, a participação dos EUA no total exportado pelo Brasil caiu para 10,8%, o menor patamar desde 2020. O dado chama atenção especialmente para a indústria de transformação, que responde por mais de 80% das exportações brasileiras ao mercado americano.
As sobretaxas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e a queda nas exportações de petróleo bruto são os fatores determinantes para o desempenho negativo, de acordo com o Monitor do Comércio Brasil–EUA.
Os produtos atingidos por tarifas de 40% ou 50% apresentaram retração de 9,5% em 2025. A situação se agravou a partir de agosto, quando medidas mais rigorosas entraram em vigor. No último quadrimestre do ano, as exportações desses itens despencaram 21,6%.

Pela primeira vez desde 2020, a indústria de transformação apresentou queda nas vendas aos EUA, com retração de 4,2%. Setores estratégicos como siderurgia, celulose e madeira lideraram as perdas, sinal claro de alerta para segmentos intensivos em aço e aço inox.
A Amcham avalia que o início de 2026 representa uma janela estratégica para destravar o comércio bilateral. Atualmente, cerca de um terço das exportações brasileiras aos EUA está sujeito a tarifas punitivas.
Um eventual acordo para reduzir ou eliminar essas barreiras pode ser decisivo para reverter o cenário, especialmente para a indústria nacional e os setores ligados ao aço e ao inox, que dependem fortemente do mercado americano para bens manufaturados.
O desempenho negativo contrasta com o crescimento das exportações brasileiras para outros parceiros estratégicos, como China, União Europeia e Mercosul, reforçando que o desafio com os EUA é menos de competitividade e mais de barreiras comerciais.
