A exportação brasileira de sucata ferrosa iniciou o ano em forte alta. Dados do Ministério da Economia, por meio da Secex, mostram que, em janeiro, o país embarcou 69.349 toneladas, volume 16,9% superior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando foram exportadas 59.323 toneladas.
O desempenho mantém a tendência de crescimento observada ao longo do último ano. Em 2025, as vendas externas de sucata bateram recorde histórico, totalizando 885.732 toneladas, alta de 28,2% em relação a 2024 e superando em 10,7% o recorde anterior, alcançado em 2023.
Segundo o Instituto Nacional de Reciclagem (Inesfa), o avanço das exportações reflete o baixo interesse das usinas siderúrgicas nacionais na compra do material. A entidade aponta que a forte entrada de aço importado, estimada em cerca de 6 milhões de toneladas ao ano, pressiona os preços no mercado interno e reduz a competitividade do produto nacional, afetando toda a cadeia produtiva.

O Inesfa alerta ainda para o risco de agravamento do cenário caso se concretize a venda das operações da CSN no Brasil para um investidor chinês, o que poderia intensificar a entrada de aço importado e ampliar os impactos negativos sobre a siderurgia, recicladores, cooperativas e catadores.
De acordo com Clineu Alvarenga, presidente do Inesfa, o setor de reciclagem tem capacidade de fornecer sucata de pronto uso, com qualidade superior e eficiência produtiva. Atualmente, esse tipo de material já representa cerca de 60% da sucata consumida no mercado interno. No exterior, os principais destinos da sucata brasileira são Índia, Bangladesh e Paquistão.
