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Episódio #4 — Philippe Starck e o inox como inteligência aplicada ao cotidiano

Série Papo de Inox: mentes que escolheram o inox

Philippe Starck é um dos designers mais influentes das últimas décadas. Francês, provocador, muitas vezes irreverente, ele construiu uma carreira que atravessa hotéis, escovas de dente, iates, cadeiras, luminárias e utensílios de cozinha. Seu trabalho sempre transitou entre o luxo e a produção em massa, entre o conceitual e o industrial.

Mas por trás da ousadia formal, há algo muito consistente em sua trajetória: uma preocupação real com função, viabilidade produtiva e longevidade.

Starck nunca foi apenas um estilista de objetos. Ele pensa em escala. Pensa em indústria. Pensa em repetibilidade. E, nesse contexto, o aço inoxidável surge quase como uma consequência natural.

Em diversas colaborações, especialmente com a Alessi, o inox aparece não como um detalhe, mas como protagonista. Utensílios domésticos, peças de uso cotidiano e objetos que precisam suportar anos de manipulação, lavagem, impacto térmico e desgaste. O que chama atenção é que o inox, nesses projetos, não é tratado como símbolo de luxo. Ele é tratado como solução inteligente.

O aço inoxidável permite precisão industrial, estabilidade dimensional e acabamento consistente. Não depende de pintura que descasca. Não exige revestimentos frágeis. Não precisa esconder sua estrutura. Ele assume sua identidade metálica e transforma isso em linguagem estética.

Diferente de materiais raros ou exóticos, o inox pode ser produzido em larga escala com controle técnico rigoroso. Isso significa que bom design não precisa ser restrito a peças únicas ou inacessíveis. Pode estar na cozinha de qualquer pessoa, no objeto que atravessa anos sem perder sua função.

Starck sempre defendeu que o design deve melhorar a vida das pessoas, não apenas impressioná-las. O inox conversa diretamente com essa visão porque resolve problemas reais: higiene, durabilidade, resistência e sustentabilidade. É 100% reciclável, tem ciclo de vida longo e raramente precisa ser substituído por degradação prematura.

Curiosamente, essa lógica é a mesma que guia a engenharia industrial. Escolhemos inox em plantas de alimentos, bebidas e farmacêutica porque ele entrega previsibilidade e reduz risco. Starck o escolhe porque entrega permanência e coerência.

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