Reservatórios de inox ganham espaço em projetos de abastecimento de água no Brasil

Obras em Caxias do Sul e Bauru mostram diferentes formas de utilização do material em estruturas destinadas ao armazenamento de água potável

Reservatórios de aço inoxidável com capacidade individual de 250 mil litros instalados pela CASAN em Barra Velha (SC). Imagem ilustrativa.

Projetos de abastecimento de água em Caxias do Sul (RS) e Bauru (SP) estão incorporando o aço inoxidável na construção de novos reservatórios. Juntas, as estruturas terão capacidade para armazenar até 1,25 milhão de litros e mostram como o material pode ser empregado integralmente ou como revestimento interno em obras de saneamento.

Os dois projetos, no entanto, apresentam formas distintas de incorporar o inox ao saneamento. Em Caxias do Sul, o Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) iniciou, em julho de 2026, a implantação de uma subadutora e a construção de um reservatório de aço inoxidável na comunidade de Camaldoli, em Santa Lúcia do Piaí.

Já em Bauru, a prefeitura homologou, em julho, a concorrência para a implantação de um reservatório de 1 milhão de litros na região do Parque Val de Palmas. O projeto admite uma alternativa construtiva que utiliza chapa galvanizada com revestimento interno de aço inoxidável.

Os projetos de Caxias do Sul e Bauru se somam a outras iniciativas brasileiras de modernização da capacidade de armazenamento de água. Em Santa Catarina, a CASAN instalou 69 reservatórios de aço inoxidável somente em 2023, adicionando mais de 10 milhões de litros aos sistemas administrados pela companhia. As estruturas são pré-montadas em fábrica, característica que pode facilitar o transporte e a instalação nos municípios.

Entre os exemplos estão quatro reservatórios de 250 mil litros em Barra Velha, mesma capacidade da unidade prevista para Santa Lúcia do Piaí. Outros projetos foram executados em cidades como Chapecó, Pinheiro Preto, Descanso, Garopaba, Paulo Lopes e Passo de Torres.

A ampliação da reservação busca aumentar a segurança hídrica durante estiagens, manutenções, falhas operacionais e períodos de consumo elevado.

Reservatório de inox atenderá 70 famílias em Caxias do Sul

O projeto de Caxias do Sul prevê a implantação de uma rede de água com 4.320 metros de extensão, que levará água tratada até a comunidade de Camaldoli. Aproximadamente 70 famílias deverão ser beneficiadas.

A água será proveniente do poço de Santa Lúcia do Piaí, localizado a cerca de 350 metros do começo da nova subadutora. O reservatório será instalado na Estrada dos Monges Camaldolenses, a aproximadamente 1,5 quilômetro do início da rede.

Fabricada em aço inoxidável, a estrutura terá capacidade para armazenar 250 m³, o equivalente a 250 mil litros de água. Segundo o Samae, o equipamento deverá proporcionar maior segurança hídrica aos moradores da região.

Bauru planeja reservatório para 1 milhão de litros

Em Bauru, a Prefeitura homologou, em 13 de julho de 2026, a concorrência eletrônica destinada à construção de um reservatório apoiado circular na área do Poço Val de Palmas 1.

A estrutura terá volume útil de 1.000 m³, correspondente a 1 milhão de litros de água potável. O projeto também inclui a urbanização do local, o fornecimento dos materiais, a mão de obra e os equipamentos necessários para a execução.

O edital estabelece duas possibilidades construtivas para o reservatório. A primeira é a utilização de aço vitrificado parafusado. A segunda prevê um sistema de dobra dupla em chapa galvanizada, com revestimento interno de aço inoxidável e teto autoportante.

Portanto, a aplicação do inox em Bauru depende da solução técnica adotada na execução. Caso seja utilizada a segunda alternativa, o aço inoxidável ficará na região interna do reservatório, em contato com a água armazenada.

Por que utilizar inox em reservatórios de água?

A utilização do aço inoxidável em reservatórios está relacionada à resistência à corrosão, à durabilidade e à facilidade de limpeza. Por apresentar uma superfície com baixa rugosidade quando corretamente acabada, o material reduz pontos de retenção de resíduos e facilita os procedimentos de higienização.

Isso não significa, entretanto, que qualquer tipo de inox seja automaticamente indicado para armazenar água. A escolha deve considerar a composição da água, a concentração de cloretos, a temperatura, os produtos empregados na limpeza e as condições de operação.

Soldas, frestas, conexões e regiões de difícil drenagem também precisam receber atenção durante o projeto e a fabricação. Uma liga inadequada ou um acabamento deficiente pode comprometer o desempenho mesmo quando a estrutura é produzida em aço inoxidável.

As fontes públicas consultadas não informam qual liga será empregada no reservatório de Caxias do Sul nem no possível revestimento interno da estrutura de Bauru.

Com capacidades e soluções construtivas distintas, os reservatórios mostram o potencial do aço inoxidável em projetos brasileiros de abastecimento.

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