Indústria alimentícia lidera utilização do aço inoxidável no Brasil

O aço inoxidável está presente em diferentes áreas da economia brasileira, mas encontra seu principal mercado na indústria alimentícia e de bebidas. O segmento, que inclui cervejarias, responde por 24% da utilização nacional do material, segundo dados apresentados pela consultoria CRU em reunião da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ).

O levantamento também aponta participação relevante das indústrias química, de petróleo e gás, responsáveis por 19% da demanda brasileira. Na sequência aparecem transporte, com 8%; energia, com 7%; papel e celulose, com 6%; e construção civil, com 5%.

Os dados foram apresentados durante reunião da Câmara Setorial de Máquinas para a Indústria Alimentícia, Farmacêutica e Refrigeração Industrial, realizada em 6 de agosto de 2025. Na ocasião, a CRU traçou um panorama do mercado mundial e brasileiro, incluindo produção, consumo, preços e perspectivas para os próximos anos.

Entre as diferentes famílias de aço inoxidável, a série 300, formada pelos aços austeníticos, ocupa posição de destaque. O aço inoxidável 304 é o tipo mais utilizado e representa mais de 50% do mercado mundial, segundo o panorama apresentado pela CRU.

Além dos setores alimentício e químico, os inoxidáveis austeníticos também são empregados na construção civil, na área médica, na indústria aeronáutica e em equipamentos marítimos.

Brasil é o único produtor da América do Sul

O Brasil ocupa uma posição particular no mercado regional por ser o único produtor de aço inoxidável da América do Sul. A produção está concentrada na unidade da Aperam South America, localizada em Timóteo, Minas Gerais.

A planta possui capacidade produtiva de 900 mil toneladas anuais de placas, 350 mil toneladas de laminados inoxidáveis e 430 mil toneladas de aços elétricos.

Apesar de contar com produção própria, o Brasil permanece como importador líquido de aço inoxidável, o que significa que compra do exterior mais material do que exporta. Aproximadamente 50% das importações brasileiras têm origem na China, demonstrando a participação significativa do produto asiático no abastecimento do mercado nacional.

Essa dependência externa também deixa o país exposto às mudanças nos fluxos internacionais, à variação cambial e às políticas comerciais adotadas pelos principais países produtores.

Inox representa 3% do aço mundial, mas concentra 15% do valor

Embora represente apenas 3% do mercado mundial de aço em volume, o inox responde por aproximadamente 15% em valor, devido à sua composição, ao processo produtivo e ao desempenho oferecido. Sua precificação é influenciada principalmente por elementos como níquel, cromo e molibdênio. O níquel merece destaque por ter cerca de 70% de seu consumo mundial destinado à produção de inox.

Segundo projeções da CRU, a produção mundial de aço inoxidável deverá crescer, em média, 3,6% ao ano entre 2024 e 2029, acima dos 0,9% estimados para o aço carbono. China e Indonésia lideram a expansão da oferta, aumentando a concorrência e a possibilidade de redirecionamento dos excedentes asiáticos para outros mercados.

Para o Brasil, o cenário combina riscos e oportunidades. A concorrência das importações pressiona a indústria nacional, mas setores como alimentos e bebidas, saneamento, energia, saúde, construção, mobilidade e papel e celulose ainda oferecem espaço para ampliar o consumo. O crescimento dependerá de capacitação técnica, especificação correta das ligas e avaliações que considerem a durabilidade e os custos de manutenção durante toda a vida útil do material.

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