EUA registram menor volume de importação de aço inox no primeiro semestre desde 2021

As importações de aço inoxidável dos Estados Unidos atingiram, no primeiro semestre de 2026, o menor volume registrado para o período desde 2021. Embora os embarques tenham apresentado uma pequena recuperação em junho, o resultado acumulado entre janeiro e junho permaneceu abaixo dos volumes observados nos últimos anos.

A retração acontece após o governo norte-americano elevar de 25% para 50% as tarifas aplicadas às importações de aço e alumínio com base na Seção 232 da legislação comercial dos Estados Unidos.

A alíquota maior entrou em vigor em 4 de junho de 2025. Desde então, importar aço inox para o mercado norte-americano se tornou significativamente mais caro, alterando o fluxo internacional do material e aumentando a participação dos produtores locais.

O que é a Seção 232?

A Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962 permite que o governo dos Estados Unidos restrinja importações consideradas uma ameaça à segurança nacional.

As medidas sobre o aço foram adotadas inicialmente em 2018, durante o primeiro governo de Donald Trump, com uma tarifa de 25%. A justificativa era que a elevada presença de produtos importados prejudicava a indústria siderúrgica norte-americana e reduzia a capacidade produtiva necessária para setores considerados estratégicos.

Em fevereiro de 2025, o governo restabeleceu a aplicação integral da tarifa de 25%, eliminando diferentes acordos alternativos, exceções nacionais e exclusões anteriormente concedidas a determinados produtos.

Poucos meses depois, a alíquota foi dobrada. A partir de junho de 2025, grande parte dos produtos siderúrgicos passou a entrar nos Estados Unidos com uma tarifa adicional de 50%.

Em 2026, o sistema foi novamente ampliado, alcançando diferentes produtos metálicos e derivados. As listas oficiais incluem produtos planos de aço inoxidável, como chapas e bobinas.

Importações de aço recuam em diferentes categorias

A queda não se limita ao aço inoxidável. Dados divulgados pelo American Iron and Steel Institute, o AISI, mostram uma retração generalizada das compras externas de aço.

Entre janeiro e maio de 2026, as importações totais norte-americanas de aço caíram 26,3% em comparação com o mesmo período de 2025. Considerando apenas os produtos acabados, a redução foi de 26,8%.

No período de 12 meses encerrado em maio, as importações totais diminuíram 21,6%, enquanto as compras externas de produtos acabados recuaram 25,2%.

Em junho, os pedidos de licenças para importação apresentaram uma pequena recuperação no volume total. Entretanto, as autorizações relacionadas aos produtos siderúrgicos acabados continuaram em queda.

No segmento de aço inoxidável, os volumes acumulados nos seis primeiros meses de 2026 foram os menores para um primeiro semestre desde 2021.

A tarifa explica toda a queda?

A tarifa de 50% é um dos fatores centrais, mas não deve ser considerada a única causa da redução.

O mercado também é influenciado pela demanda da indústria, pelos estoques mantidos por distribuidores, pelos preços do níquel e do ferrocromo, pela taxa de juros, pelo desempenho da construção civil e pela atividade dos setores automotivo, energético e de bens de consumo.

Além disso, parte dos importadores pode ter antecipado compras antes da elevação tarifária, formando estoques para reduzir a exposição imediata ao novo custo. Depois dessa antecipação, os pedidos externos naturalmente tendem a desacelerar.

Portanto, os dados mostram uma forte relação temporal entre o aumento das tarifas e a queda das importações, mas não permitem atribuir todo o movimento exclusivamente à política comercial.

O que muda no mercado mundial?

A redução das vendas para os Estados Unidos obriga siderúrgicas de outros países a procurar novos destinos para sua produção.

Parte desse volume pode ser redirecionada para a Europa, América Latina, Oriente Médio e outros mercados asiáticos. O resultado é uma disputa comercial mais intensa em regiões que não adotam barreiras equivalentes.

Esse deslocamento ajuda a explicar por que diferentes países estão reforçando suas próprias medidas de defesa comercial. A União Europeia, por exemplo, também reduziu cotas de importação e elevou para 50% a tarifa aplicada aos volumes que ultrapassarem os limites estabelecidos.

O mercado internacional do aço entra, dessa forma, em um processo de regionalização. Em vez de uma cadeia amplamente globalizada, produtores e consumidores passam a depender mais de fornecedores locais ou de parceiros protegidos por acordos comerciais específicos.

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