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O projeto prevê a substituição de 40 carretas antigas por implementos do tipo piso móvel, fabricados pela Facchini com chapas de 2 mm de espessura. Até o momento, 21 equipamentos já entraram em operação, enquanto os demais têm entrega prevista para este mês.
As novas carretas serão utilizadas no transporte de carvão vegetal entre as unidades produtoras da Aperam BioEnergia, no Vale do Jequitinhonha, e a usina da companhia localizada em Timóteo, também em Minas Gerais.
A especificação do ENDUR 300 para essa aplicação é resultado de um trabalho iniciado em 2021. Naquele período, a companhia identificou problemas recorrentes de corrosão nas carretas convencionais de aço carbono utilizadas para transportar carvão vegetal.
A formação de furos nas chapas exigia reparos frequentes, elevava os custos de manutenção e aumentava o risco de paradas não programadas. Para avaliar uma alternativa, foram produzidas dez unidades-piloto em aço inoxidável.
O desempenho dos primeiros equipamentos confirmou o potencial do material e levou à ampliação do projeto. Agora, o ENDUR 300 será utilizado, pela primeira vez, em carretas equipadas com sistema de piso móvel.
“Observamos que as carretas em aço carbono exigiam reparos frequentes devido à formação de furos causados pela corrosão. Como já tínhamos um histórico positivo do ENDUR em basculantes, entendemos que a solução também poderia trazer ganhos importantes para o transporte de carvão. Os resultados confirmaram essa expectativa e abriram caminho para a especificação do material nas novas unidades”, afirma Roberto Guida, gerente de Desenvolvimento e Estratégia de Mercado.
Um dos principais resultados esperados é o aumento da vida útil dos implementos. De acordo com a Aperam, a previsão é que as novas carretas durem aproximadamente três vezes mais do que os modelos convencionais.
A expectativa está baseada no desempenho observado em caçambas basculantes fabricadas com o mesmo material. Após cinco anos de operação em condições severas, as avaliações indicaram desgaste consideravelmente menor em comparação aos equipamentos convencionais. As chapas mantiveram sua integridade estrutural e não apresentaram furos provocados pela corrosão.
Essa maior durabilidade pode reduzir a necessidade de reparos, diminuir o tempo de indisponibilidade da frota e proporcionar maior previsibilidade à operação logística.
Embora o investimento inicial seja superior ao de implementos fabricados em aço carbono, estudos realizados pela companhia indicam um custo total de propriedade menor durante o ciclo de utilização. Dependendo da aplicação, a redução dos gastos com manutenção pode chegar a 40% após seis safras.

A utilização do aço inoxidável também ajuda a preservar as características do carvão vegetal. O produto exige controle rigoroso de umidade, e furos ou falhas estruturais na carroceria podem permitir infiltrações e comprometer a qualidade da carga.
“Os benefícios da utilização do aço inox Endur na fabricação de baús para transporte de carvão se destacam na combinação entre maior durabilidade, redução dos custos de manutenção e aumento da eficiência operacional. Além disso, a resistência à corrosão garante maior confiabilidade aos equipamentos, reduzindo o risco de infiltrações e permitindo que o carvão seja transportado de forma segura, preservando sua qualidade até o destino final”, afirma Mayara Araujo Ferreira, gerente de Logística da Aperam BioEnergia.
A adoção do ENDUR 300, portanto, não representa apenas uma mudança no material utilizado na fabricação das carretas. A solução interfere diretamente na confiabilidade dos equipamentos, na continuidade da operação e na proteção do produto transportado.
Outro benefício associado ao ENDUR está na possibilidade de utilizar chapas mais finas sem comprometer o desempenho necessário para determinadas aplicações. A redução de espessura pode diminuir o peso próprio dos equipamentos e contribuir para uma operação mais eficiente.
Em transportadores industriais de grãos do tipo redler, por exemplo, o uso do material pode proporcionar uma redução de peso de até 44% na estrutura.
Essa característica amplia as possibilidades de aplicação do ENDUR 300 em equipamentos nos quais resistência mecânica, corrosão, abrasão e controle de peso precisam ser considerados em conjunto.
Lançado em 2019, o ENDUR começou a ganhar espaço principalmente na fabricação de basculantes, reboques e semirreboques. Com o avanço dessas aplicações, o material alcançou, em 2026, a marca acumulada de 10 mil toneladas produzidas.
A Aperam também estuda sua utilização em outros segmentos, incluindo implementos agrícolas, caixas roll on/roll off e diferentes equipamentos destinados ao transporte e à movimentação de materiais.
Para a companhia, o projeto desenvolvido com a Aperam BioEnergia também demonstra como a integração entre produtor, usuário e fabricante pode contribuir para a validação de novas soluções industriais.
“Essa iniciativa mostra como as equipes da Aperam trabalham de forma conectada, desde a produção do carvão vegetal na BioEnergia até o desenvolvimento de mercados e o fornecimento da matéria-prima. Atuamos ao mesmo tempo como produtores, usuários da solução e parceiros do fabricante dos implementos”, destaca Guida.
Atualmente, a Aperam BioEnergia possui 97 conjuntos destinados ao transporte de carvão vegetal. Depois da substituição dos 40 implementos contemplados nesta etapa, a companhia pretende renovar outras 20 unidades em 2028.
Além dos ganhos operacionais, a adoção do aço inoxidável está relacionada à busca por equipamentos com maior longevidade e melhor aproveitamento dos recursos. Por ser totalmente reciclável e contribuir para a extensão da vida útil dos implementos, o material pode reduzir a necessidade de substituições e reparos ao longo da operação.
“Materiais de alta durabilidade e reciclabilidade têm um papel cada vez mais relevante no desenvolvimento da indústria. O ENDUR 300 reúne desempenho técnico, longevidade e potencial de reaproveitamento, características que contribuem para operações mais eficientes ao longo do tempo”, conclui Guida.
A aplicação mostra que o aço inoxidável pode ultrapassar os setores tradicionalmente associados ao material e ganhar espaço também na logística pesada, especialmente quando o custo de manutenção, a disponibilidade da frota e a conservação da carga são fatores decisivos.
