Alertas, alertas e mais alertas. O que fazer diante de tantos alertas?

A vida, meus amigos, é uma sucessão de espantos. E o homem de hoje, esse sujeito que atravessa a avenida Paulista com o destino cravado, vive sob o chicote de uma nova e tirânica divindade: os alertas.

São tantas notícias, com tantos alertas acendidos que se pensarmos em todos, nossa mente vira uma sucessão de sirenes, como se um míssil inimigo a qualquer momento fosse nos atingir.

O relatório do Aço Brasil, recém-saído do forno, é um exemplo claro. Bastou sair e minutos depois, mais alertas.

Olhamos para os números e o que vemos? O aço bruto, esse gigante de ferro, encolheu 5,7%. É a anemia das usinas, uma palidez que assusta o operário e o CEO.

Mas, ah, a ironia! O consumo sobe, o desejo de aço pulsa nas veias do país com uma alta de 11,3% nos planos. Entretanto, de onde vem o sustento para esse apetite? Do estrangeiro, novamente. O aço importado chega como galante sedutor e barato, ocupando 31,8% da nossa mesa.

É a invasão bárbara em plena luz do dia, e nós, paralisados como uma noiva no altar, assistimos à penetração do material alheio onde deveria estar o nosso. Talvez, seja um bom motivo, de fato, para um alerta. Mas há quanto tempo temos visto esses sinais?

Como se não bastasse a tragédia doméstica, olhamos pela janela e o mundo está em chamas. O Leste Europeu e o Oriente Médio são fantasmas que encarecem o frete, que roubam a energia, que tornam o níquel e o cromo um artigo de luxo – mais do que já era. O cenário geopolítico é uma peça de Shakespeare escrita por um estagiário sádico: incerteza, conflito e o dólar bailando um tango nervoso diante dos nossos olhos.

E, como se nada mais bastasse, temos o problema da gasolina. O barril de petróleo ultrapassou os US$ 100 e agora cambaleia perto dos US$ 115, empurrado pelos ataques no Oriente Médio. O Estreito de Ormuz, esse gargalo onde o mundo prende a respiração, está entalado. E aqui, na “pátria de chuteiras”, o reflexo é imediato e brutal: o diesel sobe, o frete dispara, e o aço sente o peso desse transporte que ficou proibitivo.

Não há inocentes nessa tragédia. O caminhoneiro que transporta a chapa olha para o painel com o desespero. A indústria, que já sofria com a invasão do material importado, agora descobre que trazê-lo do porto ficou tão caro quanto fabricá-lo aqui sob o sol escaldante da inflação. É o “xeque-mate” dos alertas.

É hora de o setor de inox vestir a armadura de AISI 304, quiçá 316, ou quem sabe um duplex, e resistir à corrosão da dúvida e entender que o mercado é uma guerra de trincheiras.

Os alertas estão aí, gritando no meio da sala. Ignorá-los é a morte por asfixia. O destino nos colocou diante de um tabuleiro onde a importação avança e a geopolítica explode. Mas, como diria o outro, o que conta não é o alerta, é a nossa capacidade de não sermos atropelados por ele.

Mas se o cenário é de guerra, não há espaço para ingenuidade estratégica. Quem insiste em jogar o jogo de preço puro, em um mercado inundado por importação, está entrando em campo já derrotado. O caminho não é competir com o aço que chega barato, é tornar irrelevante a comparação. Valor agregado não é discurso bonito, é mecanismo de sobrevivência.

Fica o alerta…

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